Um Olhar diferente – Abraão não foi Judeu e nem Cristão (p3)

“Então veio um, que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu;” (Gênesis 14:13)

Se você leu as minhas duas notas anteriores (1) e (2), possivelmente você já deve ter levantado várias questões em torno daquilo que somos, e daquilo que Deus quer que sejamos. Um olhar diferente como tantas vezes fiz referência, tem como propósito levar a si a um pensamento mais amplo – claro – e mais lógico (científico).

Não há dúvidas que o século 21 representa a era do conhecimento, das descobertas dos mistérios da terra e do espaço, e graças a nova geração tecnológica de equipamentos científicos de alta definição capazes de resolver problemas de forma eficaz, precisa e numa velocidade extraordinária, assim, já podemos de forma satisfatória afirmar que é possível corrigir e desmistificar fundamentos, hipóteses, e separar obviamente a verdade da falsidade.

Recentemente por exemplo, enquanto a espanha foi responsável por falsificar a sua história, por forma a não destacar a presença islâmica no seu País, tendo afirmado que nunca os muçulmanos estiveram presentes na Espanha, um grupo de arqueólogos (não muçulmanos) durante os seus trabalhos, descobriram uma tumba de mais de 4.500 corpos de muçulmanos pertencente aos anos 700 (nossa era). O que indica que os muçulmanos estiveram por muitos anos naquele País – mas que seus rastros a nivel de história nos registros acadêmicos da Espanha desaparecera.

O que quero dizer, é que não há margens de dúvidas de que nós temos a sorte de fazermos parte de uma comunidade global com capacidade incrível de provar com A+B a veracidade de uma informação ou facto histórico de forma exacta e precisa.

É necessário para tal ter uma mente preparada, um mindset fora da caixa, pensar de forma imparcial e com liberdade para aceitar a verdade e diferenciá-la da falsidade. Por isso tanto para a religião ou para coisas de Deus, já que Deus quiz que chegassemos a esse nível de capacidade para desafiar o nosso intelecto e motivá-lo a um raciocínio mais correcto, eu proponho critérios para validação da religião de Deus – ou seja, somente podemos certificar uma religião como verdadeiramente de Deus, se passar nos critérios. Então vamos a isso.

CRITÉRIO 1: Abraão, como fonte do Cristianismo, Judaísmo e do Islam

O que pretendo com isso? Pelo facto de Abraão ter sido um Patriarca, de onde subentende-se ter surgido as três religiões monoteístas no mundo, pretendo analisar criteriosamente entre o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam, qual dessas religiões (que tem Abraão como Pai da fé), foi de facto praticada pelo Abraão.

Segundo a Bíblia Abraão era um Hebreu.

“Então veio um, que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu;” (Gênesis 14:13)

A Bíblia considera Abraão de um hebreu, ponto final. Hebreu que significa o homem do outro lado do (rio) Eufrates. E também significa pertencente a Abar (Eber), um descendente de Sam.

A Bíblia nada fala de um Abraão Judeu ou cristão. Não há referência dessas designações em torno da figura de Abraão em nenhuma circunstância sequer. Não havendo vestígios do cristianismo nem do judaísmo na época de Abraão. Até porque historicamente, segundo a Bíblia, tanto judaísmo e cristianismo aparecem séculos mais tarde, depois do desaparecimento físico de Abraão, não havendo dificuldades nenhuma para ninguem em concordar com o facto de Abraão não ter pertencido a nenhuma dessas religiões.

O que implica um novo problema; se Abraão é patriarca – pai da fé para o cristianismo e judaísmo, porquê então essa separação? Possivelmente porque uma delas nada tem haver com Abraão, ou ambas não tem haver com Abraão, e muito menos foram designadas por Deus como a religião dos filhos e seguidores de Abraão, pois como fica o cumprimento desse PACTO entre Deus e Abraão?

Bíblia Capítulo 17:
7 E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.
8 E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus.
9 Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações.

Se houve alteração de religião no desenrolar do cumprimento histórico dessa aliança, chega-se a pensar de imediato numa possível violação dos preceitos de Deus. Sendo assim, nem o cristianismo nem o judaísmo são religiões inerentes a aliança entre Abraão e Deus.

A aliança entre Deus e Abraão, era precisamente clara, Abraão, sua descendência e seus seguidores deveriam seguir o mesmo modelo de vida que formaria assim um modelo universal de conduta nas nossas vidas, e que diante de Deus estava aprovado. É um modelo eterno, séculos à séculos. E quem não praticasse não faria parte deste grupo – segundo Génesis (quando Deus se dirigia-se a Abraão). A título de exemplo, quando Deus se apresenta a Moisés, ele enfatisa esta universalidade da submissão, como um sistema de vida pré-aprovado e perpétuo.

“Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.” (Êxodo 3:6)

É evidente que está aqui uma religião, ainda que não tenhamos nome, mas, estamos perante um sistema rigoso para estabelecimento legal da ligação entre o homem e Deus. Cabe a você analisar cautelosamente. O facto é nada de cristianismo e nem de judaísmo até aqui. Pois Moisés foi um Israelita dos filhos de Israel e não um Judeu.

Portanto, como conclusão, fica mais que claro que Abraão não foi nem cristão e nem judeu, assim como Deus diz no Alcorão 2:140:

“Podeis acaso, afirmar que Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e as tribos eram judeus ou cristãos? Dize: Acaso, sois mais sábios do que Allah o é? Haverá alguém mais injusto do que aquele que oculta um testemunho recebido de Allah? Sabei que Allah não está desatento a quanto fazeis.”

Practicamente este é um desafio que Deus coloca a todos aqueles que alegam que o cristianismo ou judaísmo pertecem, ou vieram de Deus, e foi praticada pelo Abraão, e seus filhos. Razão pela qual, Deus interrogando a si, pede respostas da sua parte – uma resposta honesta e justa. Será que Abraão foi um cristão ou judeu? E se não foi, você não gostaria de conhecer/saber qual foi a religião dele (do Pai da fé) – do amigo de Deus?

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